SCP-986

Informações

Única imagem nítida de SCP-986 durante o primeiro encontro.

Autor: DiscoRiscado
Avaliação: 0/0
Criado em: Mon Jan 12 2026
Item nº: SCP-986
Object Class: Não Contido

Procedimentos Especiais de Contenção

Devido à investigação e contenção de SCP-986 estarem em fase inicial, as informações sobre a anomalia são extremamente limitadas.

Algoritmos incorporados em bancos de dados médicos e policiais australianos devem alertar o pessoal da Fundação sobre possíveis desaparecimentos relacionados à SCP-986, com equipes móveis de contenção a serem enviadas para tentar conter a(s) entidade(s) presente(s). Sobreviventes de encontros com SCP-986 devem ser submetidos a amnésticos e tratados individualmente.

Investigações adicionais para determinar a natureza, origem e os requisitos de contenção de SCP-986 estão em andamento.

Descrição

Atualmente, não se sabe se SCP-986 é uma entidade singular ou um número desconhecido de entidades semelhantes operando em toda a Austrália continental. O único espécime encontrado foi uma entidade humanoide emaciada, com altura estimada entre 2 e 3,4 metros, com braços, mãos e cabeça desproporcionalmente grandes. Sua pele ou superfície externa parecia desviar ativamente as fontes de luz, mas, quando não estava obscurecida, apresentava uma aparência pálida e cerosa.

Até o momento, o desaparecimento da família Lee é o único encontro confirmado com SCP-986 registrado pela Fundação. Com base no desaparecimento dos Lee, conclui-se que SCP-986 persegue e ataca ativamente seres humanos.

Análise Geral e Investigação Pós-Incidente

Em 27/10/2026, Amanda e Brian Lee não compareceram aos seus locais de trabalho, e Hamish e Kelly Lee não foram à escola. Eles permaneceram desaparecidos por três dias, momento em que a polícia local iniciou uma investigação, antes de desaparecerem na residência dos Lee. Funcionários da Fundação infiltrados na região sinalizaram os desaparecimentos como suspeitos, e a investigação foi assumida pela Fundação na manhã seguinte. O encontro resultante com o SCP-986 não conseguiu conter a entidade, que matou o Agente S. Ward ao fugir para o telhado da casa. A investigação não conseguiu localizar a entidade ou qualquer meio de sua fuga, mas conseguiu encontrar Hamish Lee escondido no banheiro da residência. Após receber atendimento médico, o Sr. Lee foi entrevistado sobre sua experiência.

Entrevistado(a): Hamish Lee

Entrevistador(a): Dra. Felicia Notechis

Prefácio: Devido à idade do sujeito1 e trauma, a Dra. Notechis foi selecionada para o processo de entrevista2. O entrevistado foi parcialmente sedado e recebeu um bicho de pelúcia.

Dra. Notechis: Você é muito corajoso por falar sobre isso conosco, Hamish. Estou orgulhosa de você por isso. O Dr. Bolwell me disse que você ficou naquele banheiro por quatro dias? O que te levou a fazer isso?

Lee: O monstro.

Dra. Notechis: Certo. O que você pode me dizer sobre o monstro, amiguinho?

Lee: Você promete que vai mesmo me ouvir? Minha mamãe e meu papai nunca fariam isso.

Dra. Notechis: Eu prometo. Vamos ouvir cada palavra que você disser e vamos garantir que isso não aconteça com mais ninguém.

Lee: Ok.

Dra. Notechis: Ótimo. Então, pode me contar sobre isso?

Lee: Ele apareceu à noite. Depois que todos já foram dormir.

Dra. Notechis: Dentro de casa?

Lee acena com a cabeça.

Lee: Sim. Pelo telhado.

Dra. Notechis: Como é que ele entrou pelo telhado?

Lee: Simplesmente aconteceu.

Dra. Notechis: Ok. O que aconteceu quando ele entrou?

Lee: Eu não sei. Ele ficava lá em cima nos ouvindo. Kelly achou que talvez ele comesse aranhas lá em cima. O telhado está cheio de aranhas, mas todas saíram quando ele entrou.

Dra. Notechis: Você acha que as aranhas estavam com medo do monstro?

Lee: Talvez.

Dra. Notechis: Sua irmã também viu ele.

Lee: Não, só as aranhas. Ela achou que eu estava inventando.

Dra. Notechis: Certo. O que aconteceu depois que ele entrou?

Lee: Todo mundo ficava com medo o tempo todo. A mamãe teve que pegar mais remédios com o médico, e a Kelly começou a dormir na cama dos pais como quando era pequena. Eu disse a eles que era o monstro, mas eles disseram que eram só pesadelos.

Dra. Notechis: Como você sabia que era o monstro?

Lee: Eu conseguia ouvi-lo andando à noite. Do lado de fora da minha porta e no banheiro. Ele ficava entrando no banheiro.

Dra. Notechis: Ele ia para usar o banheiro?

Lee: Não. Era só pra entrar lá e ficar cheirando. Desse jeito.

Lee imita um som de fungada exagerado.

Dra. Notechis: Como se estivesse seguindo um cheiro, assim como um cachorro faz?

Lee: Talvez. Era bem assustador.

Dra. Notechis: Está tudo bem, Hamish, ele não pode mais te pegar, eu prometo.

Lee não responde.

Dra. Notechis: Você chegou a ver o monstro?

Lee: Às vezes. Eu pensei que meu pai ia fazer xixi, mas era o monstro. Acho que ele não me viu vê-lo.

Dra. Notechis: Ele se parecia com isso?

Dra. Notechis produz uma imagem do SCP-986 a partir da câmera corporal do Agente Ward.

Lee: Sim. Ele era todo derretido e tinha um cheiro horrível.

Dra. Notechis: Como era o cheiro?

Lee: Eu não sei.

Dra. Notechis: Você chegou a vê-lo de novo?

Lee: Sim, mais uma vez.

Dra. Notechis: Quando? Pode me contar sobre isso?

Lee: Na quinta à noite. Meu pai ficou bravo comigo porque eu tinha molhado a cama, mas eu não conseguia evitar. Ele disse que se eu fizesse isso de novo, não poderia ir à excursão da escola, então tive que ir fazer xixi.

Dra. Notechis: Você estava evitando o banheiro por causa do monstro?

Lee: Sim. Acho que ele gosta do banheiro.

Dra. Notechis: Certo. Então, o que aconteceu quando você foi ao banheiro?

Lee: Quando terminei e dei descarga, ouvi um barulho como de tambores no corredor. Tipo quando gatos estão correndo. Ele parou do lado de fora da porta e o cheiro estava ainda pior do que antes, e eu fiquei com tanto medo que não consegui abrir a porta. Fiquei lá parado, ouvindo, e acho que ele estava fingindo que não estava lá, como num esconde-esconde.

Dra. Notechis: O que você fez?

Lee: Eu perguntei ao Hirdie3 para espantá-lo, mas acho que ele não conseguiria fazer isso através da porta. Então nos sentamos no chão e acho que acabamos caindo no sono.

Dra. Notechis: Você dormiu no chão? Isso não parece muito confortável. O monstro te acordou?

Lee: Não. Os pássaros me acordaram, mas ainda estava escuro. Olhei por baixo da porta para ver se ainda estava lá e ele estava me olhando pela fresta.

Dra. Notechis: Deve ter sido assustador. Como ele era?

Lee: As mãos dele eram como pernas de aranha. Ele estava me olhando e os olhos eram enormes. Ele só tinha buracos para o nariz e uma boca pastosa como a de um bebê. Eu gritei e fiz xixi no chão e ele estava farejando como um cachorro.

Dra. Notechis: Ele tentou entrar?

Lee: Não. Hirdie disse que ele não conseguia passar pela porta.

Dra. Notechis: Então, quando foi que ele saiu?

Lee: Quando a mamãe e o papai chegaram, acenderam as luzes e ele fugiu, mas eles não o viram.

Dra. Notechis: Parecia que a luz o machucava?

Lee: Eu não sei. Talvez.

Dra. Notechis: E foi nesse dia que você se trancou no banheiro? O que te levou a fazer isso?

Lee acena com a cabeça.

Lee: Minha mamãe me colocou no quarto dela com a Kelly e foi limpar o chão com meu papai. Quando deram descarga, todas as luzes se apagaram e eles gritaram. O monstro os pegou.

Dra. Notechis: O que você e a Kelly fizeram?

Lee: Nós procuramos por eles, mas não conseguimos encontrá-los, então nos escondemos no quarto da mamãe e do papai. Eu disse a ela que foi porque eles deram descarga, mas ela não acreditou em mim. Ela foi ao banheiro dos adultos4 e deu descarga, então eu corri para o outro banheiro e me escondi.

Dra. Notechis: Por que você fez isso?

Lee: Pois sabia que ele não conseguiria entrar.

Dra. Notechis: Entendo. Você sabe o que aconteceu com a Kelly?

Lee: O monstro a pegou. Eu ouvi.

Dra. Notechis: Você tem certeza?

Lee acena com a cabeça.

Lee: Ela gritou e fez sons de grunhidos, e depois de um tempo tudo ficou com um cheiro de açougue.

Dra. Notechis: E você ficou lá até que o encontrássemos? Aconteceu alguma coisa nesse meio tempo?

Lee: Ele ficava cheirando a porta e batendo no chão. Às vezes fazia barulhos, como um bebê chorando ou tentando falar. Tive que beber a água da banheira e eu estava com muita fome, mas Hirdie disse que não podíamos sair, senão ele nos pegaria também.

Dra. Notechis: Isso foi muito inteligente.

Lee: Depois de um tempo, a polícia chegou, mas ele também os pegou.

Dra. Notechis: Como isso aconteceu?

Lee: Eles estavam tentando entrar no banheiro. O monstro ouviu e veio.

Dra. Notechis: Eles tentaram lutar contra?

Lee: Não. Ele pegou o mais velho e ele derreteu o outro como se fosse um soldadinho de plástico. Então eu fechei a porta.

Dra. Notechis: O que você quer dizer com isso?

Lee: Uma vez eu queimei um soldadinho de plástico com um amigo meu e ele derreteu. Aconteceu o mesmo com o policial.

Dra. Notechis: O que você fez então?

Lee: Eu vomitei no chão e me escondi no armário. Depois, acabei adormecendo e uma senhora gentil me trouxe para cá.

Dra. Notechis: Entendo. Obrigado, Hamish. Você é um jovemzinho muito corajoso. Há mais alguma coisa que possa nos dizer?

Lee: Não quero mais falar sobre isso. Preciso ir pra casa agora?

Dra. Notechis: Não, Hamish. O Dr. Bolwell vai cuidar de você agora.

Lee: Ok.

Declaração Final: Após esta entrevista, várias tentativas subsequentes de questionamentos não forneceram nenhuma informação adicional. A testemunha foi submetida a amnèsticos e encaminhada para o Centro de Acolhimento Familiar Victoria-19 da Fundação para observação.

Após a perícia forense na residência dos Lee, iniciou-se uma investigação sobre desaparecimentos semelhantes. Os padrões indicam que encontros com SCP-986 ocorreram em toda a Austrália continental desde pelo menos 1954, com concentrações particulares de desaparecimentos na Austrália Meridional. Até o presente momento, existem entre 78 e 137 casos de desaparecimento em aberto que se acredita estarem ligados a SCP-986.

Adendo

Em 12/03/2027, a vigilância e a comunicação com o Centro de Acolhimento Familiar Victoria-19 da Fundação foram perdidas devido à interrupção de uma comunicação telefônica de rotina, que sofreu forte interferência. Uma investigação sobre o local foi iniciada em menos de uma hora.

Todos os funcionários da Fundação foram encontrados mutilados e parcialmente liquefeitos em posições defensivas ou em suas camas. Os alojamentos das crianças foram saqueados, com um rastro de destruição que se estendia do terraço de cobertura do prédio por toda a instalação. Nenhuma das vinte e sete crianças sob os cuidados da instituição foi localizada. Pertences de Hamish Lee, principalmente seu bicho de pelúcia, foram encontrados no banheiro comunitário, cuja porta havia sido arrancada das dobradiças.

A análise da interferência telefônica permitiu discernir uma voz distorcida de um adolescente repetindo a frase "Te peguei." num tom monótono.


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