SCP-2571

Informações

Representação artística de uma árvore apresentada em SCP-2571 ("A Antiga Árvore de Craggle").

Autor: JazonRM
Avaliação: 1/1
Criado em: Sun Jan 26 2025

Mais informações

Item nº: SCP-2571
Classe do Objeto: Euclídeo

Procedimentos Especiais de Contenção

Um robô (I/O-MANDELA) operado pela Fundação deve monitorar comunidades online para discussões sobre SCP-2571. A FTM Phi-7 ("O Motivo de Chacota") deverá investigar essas discussões e tomar uma decisão sobre as ações apropriadas caso a caso.

Descrição

SCP-2571 é uma memória recorrente de infância de um parque temático inexistente ('Parque Cragglewood'). Estima-se que 0,05% da população mundial seja afetada por SCP-2571; no entanto, evidências recentes sugerem que este número pode estar a aumentar. O principal vetor de propagação de SCP-2571 ainda não é conhecido — notavelmente, parece ser mais comum entre adultos criados como filhos únicos.

Indivíduos afetados inicialmente são responsivos aos amnésticos, mas as memórias sobre Cragglewood normalmente ressurgirão assim que o tratamento terminar. Embora as descrições dessas memórias variem, vários detalhes permanecem consistentes:

  • Sujeitos tinham entre 4 e 12 anos de idade quando visitaram.
  • O parque apresentava vários personagens, principalmente centrados em variantes antropomórficas de árvores e plantas.
  • Não havia supervisão de um adulto.
  • Música de um calíope tocava por todo o parque.
  • Sujeitos frequentavam o parque com inúmeras outras crianças, nenhuma das quais conheciam.
  • O parque apresentava apenas um brinquedo; um carrossel (ou 'trivoli'). Embora as crianças que acompanhavam os sujeitos entrassem neste brinquedo, os próprios sujeitos não entravam.

Investigações sobre a natureza precisa de SCP-2571 e do Parque Cragglewood estão em andamento.

Adendo 2571.1

00:23

Registros de Entrevistas

REGISTRO DE ENTREVISTA

DATA: 16/11/2002
ENTREVISTADOR: Dr. Reiner
SUJEITO: Rupert Duccasoux

[INICIAR REGISTRO.]

REINER: Do que se lembra sobre 'Parque Cragglewood'?

SUJEITO: Jesus. É disso que se trata? É apenas um pesadelo que eu costumava ter.

REINER: Poderia elaborar?

SUJEITO: Olha, acho que é — é provavelmente baseado em algum parque temático que visitei quando era criança, sabe? Provavelmente me traumatizou pra caralho.

REINER: O que acontecia no pesadelo?

SUJEITO: Eu entro neste parque temático. É como a Disneylândia, mas menor. Não tem brinquedos; apenas aquela estrada longa e sinuosa através da floresta. Tudo é brilhante e colorido, como num desenho animado. E tem aquelas árvores ao meu redor, mas…

REINER: Conte-me sobre as árvores.

SUJEITO: Todos elas tem rostos. E elas estão cantando. Elas têm uma aparência boba e alegre, como naqueles desenhos antigos, saca? E elas apenas cantam, riem e cantam.

REINER: Você pode me dizer mais alguma coisa?

SUJEITO: Tem essa música que tá tocando em todos os lugares. É como música de órgão, mas não do tipo que você ouve na igreja. Mais parecido com o tipo que você pode ouvir em um parque de diversões.

REINER: Você mencionou antes que não tinha brinquedos.

SUJEITO: Não, espere. Não, estou errado. Tem brinquedos — há um brinquedo. Apenas um brinquedo. É aquela coisa dos cavalos que anda em círculos. Você sabe do que estou falando?

REINER: Um carrossel.

SUJEITO: Isso. Essa coisa. É de onde vem a música do órgão.

REINER: Você estava lá sozinho?

SUJEITO: Não. Há outras crianças comigo. Elas também não estão felizes por estar lá. Estamos todos sorrindo e rindo, mas só fazemos isso para não chorar, sabe? Para enganar as árvores. Para que as árvores não vejam o quanto estamos assustados. Para manter as árvores felizes.

REINER: Mantê-las felizes?

SUJEITO: É.

REINER: Há mais alguma coisa que você possa nos contar?

SUJEITO: Hum, porra. Não sei. Faz séculos que não sonho com esse lugar. Uh, eu acho… Tem uma parte, perto do fim.

REINER: Por favor, relaxe. Leve o tempo que precisar.

[Sujeito fecha os olhos.]

SUJEITO: Quando estou me preparando para sair, vejo algo. Uma pequena árvore brotando perto do meu pé. Ele olha para mim. Está sorrindo, sorrindo com aquele sorriso grande, estúpido e feliz. Quando vejo isso é quando começo a gritar. É quando eu acordo.

REINER: Por que aquela árvore faz você gritar?

[Sujeito abre os olhos.]

SUJEITO: Porque tem a minha cara.

[FIM DO REGISTRO.]

REGISTRO DE ENTREVISTA

DATA: 09/02/2003
ENTREVISTADO: Dr. Reiner
SUJEITO: Janine Yearling

[INICIAR REGISTRO]

REINER: Você já andou no carrossel?

SUJEITO: É o que? Claro que não. Você está louco?

REINER: O que aconteceu quando você chegou lá, então?

SUJEITO: Algumas das crianças se deram bem. Mas eu não. As que entraram — algumas delas estavam sorrindo, algumas estavam chorando. Algumas abraçaram as que não se deram bem. Algumas delas abraçaram de volta.

REINER: O que aconteceu então?

SUJEITO: Elas brincaram no carrossel. Então saímos.

REINER: O que aconteceu com elas?

SUJEITO: (irritado) Como eu deveria saber? Nós saímos.

REINER: Você as deixou para trás?

SUJEITO: (cada vez mais irritado) Sim, nós deixamos elas para trás. O quê, você acha que deveríamos ter ficado? Viu como tudo isso iria acabar?

REINER: Desculpe. Eu não queria te acusar de nada. Você era apenas uma criança. Ninguém esperaria que você—

SUJEITO: Pois, eu era apenas a droga de uma criança no meio da droga de um pesadelo, e eu — Eu só —

[Sujeito balança a cabeça.]

SUJEITO: Eu só, você não tem ideia do que falar sobre isso está fazendo comigo, ou como isso está me fazendo sentir. Eu não quero falar sobre. Eu só quero esquecer isso. Por que você não pode simplesmente nos deixar — nos deixas —

[O sujeito coloca as mãos entre a cabeça]

SUJEITO: Me desculpa, eu só —

REINER: Não precisa se desculpar, Sra. Yearling. Você claramente passou por uma experiência profundamente traumatizante.

[O sujeito soluça.]

SUJEITO: Eu só, eu só, eu não entendo.

REINER: Não consigo imaginar que você faria isso. Nada nesta experiência faz muito sentido.

SUJEITO: (soluços sufocantes) Isso não, não é isso. É só…

REINER: O que é isso?

SUJEITO: Uma das crianças. Uma das crianças que se deu bem.

REINER: Sim?

SUJEITO: Por que? Por que ela me abraçou? Eu nem- eu nem sei quem ela era —

[O sujeito continua a soluçar.]

[FIM DO REGISTRO.]

REGISTRO DE ENTREVISTA

DATA: 12/06/2004
ENTREVISTADOR: Dr. Reiner
SUJEITO: Randolph Blair

[INICIAR REGISTRO.]

REINER: Gostaria de falar com você sobre o videocassete.

SUJEITO: Senhor.

REINER: Eu entendo que isso é —

SUJEITO: Vocês simplesmente não entendem. Não quero discutir nada disso com vocês. Caramba. Eu não deveria ter contado nada disso pra minha terapeuta, aquela desgraçada —

REINER: Por favor, Sr. Blair. Eu preciso que você se concentre.

SUJEITO: (suspirando) Vá em frente.

REINER: Esta fita cassete. De onde você a tirou?

SUJEITO: Não sei. Eu não sei, porra. Encontrei ela no meu sótão quando estava a limpar aquela porcaria. Achei que fosse apenas uma cópia antiga de Os Caça-Fantasmas ou algo assim.

REINER: Você reconhece alguma das imagens nela?

SUJEITO: Não sei. É. Dos pesadelos. Besteira assim. Talvez alguém tenha me mostrado a fita quando eu era criança.

REINER: Você morou nesta casa a vida toda?

SUJEITO: Aham.

REINER: Você foi criado nesta casa pelos seus pais?

SUJEITO: É. Isso vai para algum lugar?

REINER: O quarto da frente —

SUJEITO: Olha, eu não quero falar sobre essa merda, ok?

REINER: Eu entendo. Mas precisamos de compreender o que se passa, Sr. Blair. O por que do quarto da frente —

SUJEITO: Não sei. Eu não sei, porra. Sempre tinha aquela caralha. Mas ninguém usava. É por isso que mantenho trancado, ok? Eu não penso nisso.

REINER: Eu entendo, Sr. Blair. Eu só preciso perguntar —

SUJEITO: Terminamos?

REINER: Só preciso fazer mais uma pergunta.

SUJEITO: Que seja.

REINER: Sr. Blair, você sempre foi filho único?

[O sujeito se recusa a responder.]

[FIM DO REGISTRO.]

NOTA: O sujeito se recusou a realizar quaisquer entrevistas adicionais.

[00:21]

A imagem gira para focar nas outras crianças caminhando pelo caminho; algumas se movem de mãos dadas.

[00:32]

A imagem aponta para ao cascalho.

[00:36]

(Soluços silenciosos.)

[00:39]: VOZ 1

(sussurrando) Estou com medo.

[00:41]: VOZ 2

(sussurrando) Shhh. Tá tudo bem. Tá tudo bem. Não chore. Você tem que sorrir. Você deve.

[00:55]

(Cantoria distante.)

[00:58]: VOZ 2

(Sussurando) Sorria. Sorria, por favor, apenas sorria, ficaremos bem, eu prometo, vou cuidar de —

[01:02]

Estática.

[01:09]

01:09

Imagens desfocadas.

[01:10]

(Cantoria distorcido e música de um calíope.)

[01:15]

(Risadas profundas e alegres.)

[01:20]

(A cantoria e a música se intensificam.)

[01:25]: VOZ 2

(sussurrando) Ó, Deus.

[01:26]

Estática.

[01:30]

Aproximadamente uma dúzia de crianças estão em volta de um carrossel.

[01:32]: VOZ 1

(sussurrando) O que tá acontecendo?

[01:35]: VOZ 2

(sussurrando) Sh, apenas…

[01:39]

(A cantoria se intensifica.)

[01:42]: VOZ 2

(sussurrando) Ó, Deus.

[01:45]: VOZ 1

(sussurrando) O que elas são— O que elas são —

[01:48]: VOZ 2

(sussurrando) Ouça, você tem que —

[01:52]

A imagem desce até o cascalho.

[01:58]: VOZ 2

Desculpa. Desculpa. Você tem que ir. Você tem que —

[02:01]: VOZ 1

Não! Você não está —

[02:05]

(A cantoria se intensifica. Podem ser ouvidos sons de crianças chorando.)

[02:08]: VOZ 2

Vá, por favor, me desculpe, vou ficar bem, só —

[02:12]

Estática .

[02:20]

A imagem balança freneticamente, correndo por uma trilha na floresta.

[02:21]

(Respiração pesada.)

[02:22]

(Cantoria distante.)

[02:25]: VOZ 1

(sussurrando) Não, não, não, não—

[02:30]

02:42

A imagem voa para cima e depois cai no chão. A visualização agora está centralizada em um rosto.

[02:35]: VOZ 1

(soluçando) Não, não, não, por favor não, por favor não —

[02:38]

O rosto olha para cima e sorri.

[02:41]: VOZ 1

(soluço) Não não não —

[02:42]

(VOZ 2 começa a cantar.)

[FIM DO REGISTRO.]


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